sábado, 22 de janeiro de 2011

O Programa que animou o Brasil: "Família Trapo"

FAMILIA TRAPO


O nome Família Trapo foi inspirado da família von Trapp, do filme A Noviça Rebelde (The sound of music). Era uma família confusa e divertida, que vivia em volta do Carlos Bronco Dinossauro (Ronald Golias), que era irmão de Helena Trapo, a mãe (Renata Fronzi). Era o cunhado folgado. Tinha como sua vítima maior o seu cunhado Peppino Trapo (Otello Zeloni), o pai. Verinha, a filha (Cidinha Campos) e o filho Sócrates (Ricardo Corte Real) e o mordono Gordon, que era o Jô Soares.

Os episódios giravam em torno do Bronco, que implicava com todos os componentes da família. Brincava com o Peppino Trapo, que a "..Itália era uma bota". E ainda falava que tinha "... uma fazenda em Mato Grosso, que era imensa e que media 7m x 4m". No especial em que aparece Pelé, que não é reconhecido por Bronco (que ainda por cima dá algumas dicas ao "Rei" de como jogar futebol), ele cantarola um hino fascista para irritar Zeloni. Este clássico episódio faz parte de um dos dois videotapes, que sobraram da Família Trapo.

Receberam diversos convidados como os futebolistas Pelé (Santos), Raul Plasmann - (goleiro galã do Cruzeiro), e atual comentarista esportivo da Rede Globo; e os cantores Roberto Carlos, Elis Regina etc. Sonia Ribeiro fez participação especial como arrumadeira da família.

[editar] Platéia
As apresentações eram "ao vivo", e os improvisos iam "ao ar", deixando o programa mais engraçado ainda. Num dos episódios que estava sendo feito e gravado, era a última cena do programa e o Golias dava um tiro, e o tiro falhou. Então, o Nilton Travesso um dos diretores do programa, entrou no palco e pediu ao público: dá para vocês rirem de novo ? Por que nos temos que dar este tiro de novo. A platéia era animada e enchia as dependências do Teatro Record -Consolação. Aliás, o povo aglomerado parava a rua da Consolação. Após um incêndio o programa passou a ser feito nos estúdios da TV Record (na avenida Miruna), e depois no Teatro Record-Centro, ex-Teatro Paramount e atual Teatro Abril, em São Paulo. O programa foi líder de audiência no horário, durante três anos consecutivos.

As garotas ficavam na saída do teatro esperando o Socrátes (Ricardo Corte Real) sair pela porta dos artistas, para ser agarrado por elas.

Um dos improvisos mais engraçados de Ronald Golias ocorreu quando Jô Soares, fingindo ser um extra-terrestre, disse para o colega: "Irmão, eu vim para levá-lo para o caminho da verdade, irmão!" ao que Ronald Golias respondeu, "Não, por favor, não! Deixa-me aqui mesmo no caminho das mentirinhas que está bom!"

FONTE: http://pt.wikipedia.org/wiki/Fam%C3%ADlia_Trapo

Viagem ao Fundo do Mar

Viagem ao Fundo do Mar



Sinopse
Uma expedição científica de rotina ao Pólo Norte transforma-se em uma corrida para salvar a vida sobre a Terra, quando um cinturão de radiação no espaço incendia-se e começa a aquecer o planeta de maneira incontrolável. O Almirante Nelson (Walter Pidgeon) e a tripulação do submarino atômico Seaview enfrentam sabotadores, criaturas marinhas gigantescas e ataques de submarinos durante sua corrida para evitar a catástrofe global. Famosos por seus filmes sobre catástrofes, Irwin Allen, produz e dirige este elenco de astros e estrelas, incluindo Joan Fontaine, Barbara Eden, Peter Lorre, e Frank Avalon. Efeitos visuais impressionantes e numa fotografia submarina magnífica fazem dessa obra um dos mais respeitados clássicos de ficção científica de todos os tempos.

Atores
Walter Pidgeon, Joan Fontaine, Barbara Eden, Peter Lorre, Michael Ansara, Frankie Avalon, Robert Sterling, Henry Daniell

=======



"O Ataque da Aranha Monstruosa"




Os anos 60 foram palco de uma grande quantidade de séries de televisão com temática de ficção científica e horror, que povoaram durante anos o imaginário dos fãs com seus incríveis mundos de fantasia. Em especial, um lendário e veterano produtor falecido em 02/11/1991 aos 75 anos de idade, Irwin Allen. Foi o responsável por quatro das mais divertidas séries do gênero fantástico de todos os tempos. São elas: Viagem ao Fundo do Mar (Voyage to the Bottom of the Sea, 1964/68), Perdidos no Espaço (Lost in Space, 1965/68), O Túnel do Tempo (The Time Tunnel, 1966) e Terra de Gigantes (Land of the Giants, 1968/69).

Viagem ao Fundo do Mar teve um filme piloto lançado em 1961 e um livro homônimo escrito por Theodore Sturgeon, com base em manuscritos de Irwin Allen e lançado na mesma época. O filme foi produzido e dirigido por Irwin Allen, motivado após o sucesso de seu trabalho anterior, "O Mundo Perdido" (The Lost World, 1960), com história de dinossauros ambientada na Amazônia brasileira, baseada em obra homônima de Arthur Conan Doyle.

Em Viagem ao Fundo do Mar, um poderoso submarino atômico chamado "Seaview" tem a importante missão de salvar o mundo de uma ameaça da natureza: a incineração do planeta devido a radiação provocada por um cinto espacial recém descoberto. A tripulação é formada por militares e civis que viajavam à bordo do submarino, para realizar pesquisas e missões militares especiais. Seu comando é do Almirante Harrigan Nelson (Walter Pidgeon, de "Planeta Proibido"/1956), juntamente com os demais oficiais, o Capitão Lee Crane (Robert Sterling), o Comandante Lucius Emery (Peter Lorre, de "O Corvo"/1963), a psicóloga Dra. Susan Hiller (Joan Fontaine), a Tenente Cathy Connors (Barbara Eden, da série de TV da década de 60 Jeannie é um Gênio), o cientista civil Miguel Alvarez (Michael Ansara), e o Tenente Chip Romano (o cantor pop Frankie Avalon). O filme foi um grande sucesso e impulsionou Allen a transformá-lo em série de televisão, motivado pelo baixo custo de produção (exigência dos executivos da Fox) e por economizar nos gastos utilizando muito material aproveitado do filme, como cenários e maquetes das naves.

Para a série foram chamados outros atores, com exceção de Del Monroe e Mark Slade, os únicos a participarem de ambas as produções. Monroe era o marujo Kwoski do filme e passou a ser Kowalski na série, um tripulante com bastante destaque em vários episódios. Slade participou apenas do primeiro ano da série como o marujo Malone. Para o papel do Almirante Nelson foi convocado o ator "shakespereano" Richard Basehart, o imediato em comando Capitão Crane, ficou para David Hedison (de "O Mundo Perdido"/1960), o chefe Chip Morton foi interpretado por Bob Dowdell, e o chefe Francis Sharkey ficou para Terry Becker.

A série teve 110 episódios de 50 minutos de duração cada, num total de quatro temporadas, produzidas entre 1964 e 1968. A primeira temporada foi produzida em preto e branco e as histórias são mais científicas e dramáticas, abordando temas de espionagem, sabotagem e thrillers psicológicos. Pressionado para aumentar os índices de audiência, Irwin Allen modificou o estilo dos episódios a partir da segunda temporada. Houve a inclusão de cores e as histórias passaram a ser mais fantasiosas, apresentando uma enorme variedade de monstros de todos os tipos, das profundezas desconhecidas dos oceanos à imensidão do infinito e o inexplorado espaço sideral, além de fantasmas, assombrações e alienígenas hostis. Foi acrescentado também uma nave futurista (a série é ambientada num futuro próximo à sua época de produção, algo em torno de 1980, o que curiosamente já é um passado distante para nós) chamada de "Sub-Voador", responsável pelas missões que necessitavam de maior flexibilidade nas ações, já que é um veículo pequeno que voa e navega sob as águas com a mesma performance.

Viagem ao Fundo do Mar é muito lembrado pelos fãs por seus episódios recheados de situações absurdas, com roteiros inverossímeis, introduzindo uma imensa diversidade de monstros, alienígenas e cientistas loucos, em histórias super divertidas com efeitos especiais toscos. Ou seja, o tipo de histórias que adoramos e que proporcionam o mais puro entretenimento, despertando um saudoso sentimento de nostalgia.

Para exemplificar bem o assunto, vale relembrar um episódio em especial que se encaixa perfeitamente nesse estilo. Trata-se de "O Ataque da Aranha Monstruosa" (The Monster's Web), que tem um título bem apropriado e com o qual já se imagina como será o roteiro. Um submarino de testes está realizando uma perigosa experiência com um novo e poderoso combustível explosivo que permitiria atingir grandes velocidades.

Comandados pelo Capitão Gantt (Mark Richman), o criador do combustível, e seu imediato Chefe Balter (Barry Coe), o submarino sofre um acidente e choca-se contra uma enorme teia de aranha no fundo do mar (!), destruindo parte de seu casco e matando vários marinheiros. O Capitão Gantt salva-se milagrosamente e junta-se aos tripulantes à bordo do Seaview, um submarino nuclear altamente moderno, que foi convocado para averiguar o incidente militar.

A missão do Seaview é resgatar alguns cilindros com combustível que ficaram presos no submarino avariado, antes que os mesmos possam causar alguma explosão no fundo do mar, com conseqüências de extrema gravidade. Sendo assim, o Almirante Nelson (Richard Basehart) parte no Sub-Voador numa missão de resgate, formando um grupo com Gantt e o mergulhador Riley (Allan Hunt). Ao chegarem e recuperarem o combustível, eles são surpreendidos por uma gigantesca aranha aquática, maior que o próprio Seaview, que os ataca e prende o Sub-Voador em suas imensas teias. Uma equipe de mergulhadores do Seaview parte para o resgate, liderada pelo Capitão Crane (David Hedison) e após uma série de aventuras e confrontos com o enorme ser aracnídeo, o monstro peludo submarino (como em todos os episódios, sem exceção) é destruído num ataque com uma arma composta pelo poderoso e devastador combustível em experiência.

Por esse argumento já pode-se notar como eram a maioria dos episódios de Viagem ao Fundo do Mar, ou seja, absurdos mas muito, muito divertidos, com seus monstros de borracha e efeitos especiais deficientes. A aranha submarina é um destaque bizarro, emitindo rugidos como se fosse uma imponente fera e com uma enorme e poderosa teia que foi capaz de capturar um submarino nuclear em alta velocidade. O Seaview e o Sub-Voador são claramente maquetes de veículos aquáticos, mas confesso que gostaria de ser mais um de seus tripulantes e participar junto com o Almirante Nelson e o Capitão Crane das divertidas e perigosas missões especiais, combatendo monstros, alienígenas e cientistas loucos que ameaçam a humanidade.

Nota do Autor: Esse artigo foi publicado originalmente em meu fanzine Juvenatrix # 70 (janeiro 2003) e no site Boca do Inferno em 20/12/02.

Ficha Técnica


Viagem ao Fundo do Mar (Voyage to the Bottom of the Sea, EUA, 1964-1968, Twenty Century Fox) - O episódio "O Ataque da Aranha Monstruosa", tema desse artigo, tem o título original de "The Monster´s Web" - Roteiro: Al Gail e Peter Packer, baseado em história de Peter Packer Direção: Justus Addiss Elenco: Richard Basehart (Almirante Harrigan Nelson), David Hedison (Capitão Lee Crane), Bob Dowdell (Chefe Chip Morton), Allan Hunt (Riley), Mark Richman (Capitão Gantt), Barry Coe (Chefe Balter).


======

FONTES: http://www.cienciamao.usp.br/tudo/exibir.php?midia=fil&cod=_viagemaofundodomar

http://retrotv.uol.com.br/artigos/rosatti/vfm.html

O macaco muriqui, é o maior do Continente Americano

MACACO MURIQUI
O muriqui é um animal pacífico, que já ocupou boa parte da Mata Atlântica e agora corre o risco de desaparecer. Conheça o maior macaco do continente americano.

A Mata Atlântica brasileira é um dos sistemas florestais mais ricos e diversos do mundo; é também um dos mais ameaçados, situando-se entre os 5 principais hotspots de biodiversidade da Terra. Esse bioma, que originalmente cobria 1.2 milhões de km2, hoje está reduzido a cerca de 7% de sua área inicial. Como consequência, muitos de seus animais e plantas encontram-se também sob forte pressão, vários altamente ameaçados de extinção.

Os primatas têm sido um dos mais importantes símbolos da conservação da Mata Atlântica, seu status na natureza é indicativo da situação na região como um todo. Cerca de 24 espécies e subespécies são encontradas na Mata Atlântica, 15 das quais estão ameaçadas ou criticamente ameaçadas de extinção.

Brasil e uma espécie muito carismática, encontra-se na lista dos prirnatas mais ameaçados do planeta. O muriqui-do-norte tornou-se uma espécie-bandeira de grande importância para o Brasil. Somente cerca de 500 indivíduos sobrevivem na natureza e um terço dessa população existe em um único local: as matas da RPPN Feliciano Abdala, sede da Estação Biológica de Caratinga (EBC), no estado de Minas Gerais.


FONTE: http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1416904-7823-CONHECA+O+MURIQUI+O+MAIOR+MACACO+DO+CONTINENTE+AMERICANO
,00.html

domingo, 16 de janeiro de 2011

Lost in Space

Perdidos no Espaço





É um seriado de televisão produzido entre 1965 e 1968, que contava as aventuras da família Robinson no espaço, a bordo da nave Júpiter 2, juntamente com o Robô B9 e o Dr. Zachary Smith (Jonathan Harris).


Sinopse

No ano 1997, a Terra sofre com sua superpopulação. O Professor John Robinson, sua esposa Maureen, as suas crianças (Judy, Penny e Will) e o Major Don West são seleccionados para viajar até um planeta do sistema Alpha Centauri a fim de estabelecer uma colônia da Terra para que outras pessoas possam viver lá. Eles estão a ir lá a bordo de um foguete do Professor Robinson da concepção, baptizada de Júpiter 2. No entanto, o doutor Zachary Smith, um agente de um governo inimigo, é enviado para sabotar a missão. Ele é bem sucedido em reprogramação do foguete robô, mas no processo torna-se preso no foguete, e por causa de seu excesso de peso, o foguete, e todos a bordo tornam -se irremediavelmente perdidos e agora se torna uma luta pela sobrevivência, com a tripulação tentando encontrar o caminho de volta para casa.

Produção

O seriado, produzido pela CBS e que tinha como criador e produtor executivo Irwin Allen, foi ao ar pela primeira vez nos EUA em setembro de 1965, e permaneceu no ar até março de 1968.

A série teve o episódio piloto mais caro da história da televisão[1], e que nunca foi ao ar (cenas do episódio piloto foram reaproveitadas nos primeiros cinco episódios da série). Segundo rumores da época, caso a série não fosse um sucesso, a CBS poderia quebrar pelo dinheiro gasto na produção.

Irwin Allen foi um produtor de televisão muito bem sucedido, que emplacou outros sucessos tais como "Terra de Gigantes", "O Túnel do Tempo" e "Viagem ao Fundo do Mar". No entanto, Perdidos no Espaço foi, sem dúvida, seu maior sucesso. Allen aproveitou ainda na sua série elementos do clássico de 1956, Forbidden Planet (br.: O Planeta Proibido), tais como o formato de disco da nave Jupiter 2; e o robô serviçal humanóide, que no filme era chamado de Robby.

Jonathan Harris (que interpreta o doutor Smith) foi contratado por último para participar da série, e por isto aparece nos créditos como "participação especial" (termo usado na televisão pela primeira vez no seriado). Apesar de ter sido o último personagem a ser incluído na idéia da série (no episódio piloto não há Dr. Smith nem o Robô), ele acaba sendo o centro da trama.

Perdidos no Espaço teve 3 temporadas produzidas. A 1ª temporada foi produzida em preto-e-branco. Na 2ª temporada a série ganha cores, mas perde bastante em qualidade, deixando de lado o foco na ficção científica, e adotando um tom mais de comédia. Na 3ª e última temporada, esse tom de comédia se acentua ainda mais. Pouco antes de se começar a produção da 4ª temporada, a série é cancelada, mesmo apesar de alguns roteiros já estarem escritos e de algumas cenas já terem sido gravadas.

História

A história do seriado se passa no futuro. Em 16 de outubro de 1997, a espaçonave Júpiter 2 está em contagem regressiva para ser lançada ao espaço com a família Robinson, que tentará colonizar um planeta em Alfa Centauri, projeto que resolveria o problema da superpopulação da Terra.

Participavam também da expedição, além do Professor John Robinson, sua esposa Maureen Robinson, e seus filhos, Judy, Will e Penny, o Major Don West que era o piloto da nave Jupiter 2 (no episódio-piloto a nave chama-se Gemini 12 — alusão ao projeto Gemini, do programa espacial norte-americano).

Um espião estrangeiro infiltrado sabota a missão, levando-os a ficar perdidos no espaço. No entanto, este espião-sabotador acaba preso na nave com a família Robinson. Ele é o Doutor Zachary Smith.

Tema musical
O tema musical do seriado ficou a cargo de John Williams, mais tarde consagrado como compositor de sucessos do cinema. E muito bem reaproveitado no filme de 1998.

Fim da série e repetições
É interessante notar que a série foi encerrada não por estar com baixos índices de audiência, mas por medidas de contenção de despesas da CBS, que estava com suas finanças abaladas por outros projetos mal sucedidos.[carece de fontes?] No entanto, tornou-se sucesso absoluto em inúmeras repetições na televisão em todo o mundo.

Em 1997 — ano que seria o lançamento da Júpiter 2 — é produzido o filme Lost in Space (filme). Com participação especial de June Lockhart (Maureen Robinson), que no filme aparece como a diretora da escola (em holograma), e das atrizes Angela Cartwright (Penny Robinson) e Marta Kristen (Judy Robinson), como repórteres. Mark Goddard, o intérprete do piloto Major Don West na TV, aparece no longa do cinema como o general que apresenta Don ao Professor John Robinson.

Houve ampla repercussão em 2004 na mídia brasileira sobre o lançamento do DVD de "Perdidos no Espaço". Além disto, contra a vontade da distribuidora internacional, no Brasil, o DVD sai com a dublagem original da série e com o inédito episódio piloto como bônus.[carece de fontes?]

Exibição no Brasil
No Brasil, a série estreou em 4 de dezembro de 1966, nas tardes de domingo da TV Record, então transmitida apenas para São Paulo, "coladinha" no programa Jovem Guarda.

Em 1970, Perdidos passou a ser exibida na Rede Globo, onde ficou até 1978, quando passou para a TV Tupi. Com a extinção da emissora, em 1980, os direitos foram adquiridos pela Rede Bandeirantes, que exibiu a série esporadicamente durante a década de 1980. Em 1988, a TV Gazeta, então com programação dirigida ao público jovem da época, com programas como TV Mix e Clip Trip, compra Perdidos e enfim - graças a protestos de fãs - volta a exibir a primeira temporada da série, produzida em preto e branco e ignorada pelas emissoras anteriores desde que as cores foram instituídas na televisão brasileira, em 1972.

Em 1990, a Rede Record é comprada pela Igreja Universal, que refaz toda a programação da emissora. Como tapa-buraco no horário da manhã, é exibida a faixa Manhã de Aventura, na qual eram exibidas várias séries clássicas, entre elas, Perdidos. Fato curioso é que a reapresentação da Record se iniciou precisamente no episódio seguinte ao último apresentado pela TV Gazeta no ano anterior.

A série é exibida pela emissora do Bispo Macedo por várias ocasiões até meados da década de 90.

Na televisão a cabo, foi ao ar nos canais Fox durante a década de 90 e FX entre 2003 e 2007.

Atualmente é exibida na Rede Brasil de Televisão.

Lançamento em DVD
Perdidos no Espaço já teve suas 3 temporadas completas lançadas em DVD aqui no Brasil. A 1ª temporada foi lançada assim como foi produzida, em preto-e-branco, e traz também o episódio piloto "No Place to Ride", jamais exibido no Brasil, e portanto, não-dublado. As 2ª e 3ª temporadas foram lançadas em cores. Todas as 3 temporadas apresentam a dublagem original brasileira, realizada na década de 1960.



Elenco

Ator Personagem
Guy Williams .......... John Robinson
June Lockhart ......... Maureen Robinson
Mark Goddard .......... Don West
Marta Kristen ......... Judy Robinson
Billy Mumy ............ Will Robinson
Angela Cartwright ..... Penny Robinson
Jonathan Harris ....... Zachary Smith

Vozes no Brasil
Voz Personagem
Astrogildo Filho John Robinson
Helena Samara Maureen Robinson
Ary de Toledo Don West
Cristina Camargo e Neuza Maria Judy Robinson
Maria Inês Will Robinson
Cristina Camargo e Magali Sanches Penny Robinson
Borges de Barros Zachary Smith
Amaury Costa e Gilberto Baroli Robô

A narração é de Ibrahim Barchini, Emerson Camargo e Carlos Alberto Vaccari.

A dublagem no Brasil foi realizada pelos estúdios da AIC (Arte Industrial Cinematografica).

Episódios
É interessante observar que as três temporadas da série foram sensivelmente diferentes uma da outra: a primeira, em preto e branco, tinha mais embasamento tecnológico e apresentava o Dr. Smith como um perigoso espião estrangeiro, porém, pouco a pouco, ele passa a se tornar um covarde preguiçoso; na segunda temporada, a trama, com ênfase na comédia, se centra no Dr. Smith e no Robô, e as aventuras tornam-se cada vez mais absurdas (recheadas de alienígenas birutas, como, por exemplo, em forma de cenoura), e também a partir desta segunda temporada, a série passa a ser em cores; finalmente, na última temporada, cada personagem passa a ter destaque alternadamente, reduzindo a participação do Dr. Smith. Nesta terceira temporada a série voltou a enfatizar a aventura.

1.No Place To Hide (episódio piloto, nunca exibido)

Primeira temporada
1.O Clandestino Teimoso (The Reluctant Stowaway)
2.A Nave Fantasma (The Derelict)
3.Ilha no Céu (Island in The Sky)
4.Terra de Gigantes (There Were Giants in the Earth)
5.Mar Revolto (The Hungry Sea)
6.Hapgood Esteve Aqui (Welcome Stranger)
7.Um Estranho Amigo (My Friend, Mr. Nobody)
8.Invasores da Quinta Dimensão (Invaders from Fifth Dimension)
9.O Estranho Oásis (The Oasis)
10.Os Seres Eletrônicos (The Sky is Falling)
11.A Lâmpada de Aladim (Wish Upon a Star)
12.A Mini Espaçonave (The Raft)
13.O Cão Desaparecido (One of Our Dogs is Missing)
14.O Ataque das Plantas Monstruosas (Attack of The Monster Plants)
15.Volta à Terra (Return from Outer Space)
16.O Estranho Colecionador - 1ª parte (The Keeper)
17.O Estranho Colecionador - 2ª parte (The Keeper)
18.O Pirata do Céu (The Sky Pirate)
19.O Fantasma do Espaço (Ghost in Space)
20.A Guerra dos Robots (The War of the Robots)
21.O Espelho Mágico (The Magic Mirror)
22.O Desafio (The Challenge)
23.O Mercador do Espaço (The Space Trader)
24.Sua Majestade Smith (His Majesty Smith)
25.Os Semeadores do Universo (The Space Croppers)
26.Nem Tudo o que Reluz... (All That Gliters)
27.A Civilização Perdida (The Lost Civilization)
28.Um Passeio à Sexta Dimensão (A Change of Space)
29.A Voz do Espírito (Follow The Leader)

Segunda temporada
1.Fuga Desesperada (Blast Off Into Space)
2.A Estranha Dama Verde (Wild Adventure)
3.O Planeta Fantasma (The Ghost Planet)
4.O Mundo Proibido (The Forbidden World)
5.Circo do Espaço (Space Circus)
6.O Tribunal das Galáxias (The Prisoners Of Space)
7.A Máquina Andróide (The Android Machine)
8.Os Torneios Mortais de Gama 6 (The Deadly Games of Gamma 6)
9.O Ladrão do Espaço Sideral (The Thief From Outher Space)
10.A Maldição do Primo Smith (Curse of Cousin Smith)
11.A Oeste de Marte (West Of Mars)
12.Uma Visita ao Inferno (A Visit To Hades)
13.A Destruição do Robô (The Wreck Of The Robot)
14.O Monstro do Pesadelo (The Dream Monster)
15.O Homem Dourado (The Golden Man)
16.A Moça da Dimensão Verde (The Girl From The Green Dimension)
17.O Cavaleiro Espacial (The Questing Beast)
18.O Fabricante de Brinquedos (The Toymaker)
19.Motim no Espaço (Mutiny In Space)
20.Os Vikings do Céu (The Space Vikings)
21.Foguete para a Terra (Rocket To Earth)
22.A Caverna dos Mágicos (The Cave Of The Wizards)
23.O Tesouro do Planeta Perdido (Treasures Of The Lost Planet)
24.A Revolta dos Andróides (Revolt Of The Androids)
25.Os Colonizadores (The Colonists)
26.Viagem Através do Robô (Trip Through The Robot)
27.A Família Fantasma (The Phantom Family)
28.Os Homens Mecânicos (The Mechanical Men)
29.O Viajante Astral (The Astral Traveller)
30.O Amuleto da Galáxia (The Galaxy Gift)

Terceira temporada
1.Os Condenados (The Condemned of Space)
2.Visita a um Planeta Hostil (Visit To A Hostile Planet)
3.O Ataque dos Homens-Relógio (Kidnapped in Space)
4.A Noite do Caçador (Hunter's Moon)
5.Primitivos do Espaço (The space Primevals)
6.O Terrível Exército Cyborgue (The Space Destructors)
7.O Inacreditável Zaybo (The Haunted Lighthouse)
8.O Misterioso Planeta Verde (Flight Into The Future)
9.Colisão de Planetas (Collision Of The Planets)
10.Criaturas da Névoa (The Space Creatures)
11.A Namorada do Robô (Deadliest of the Species)
12.Jardim Zoológico das Galáxias (A Day at the Zoo)
13.O Grande Hotel Espacial (Two Weeks In Space)
14.A Princesa do Planeta Gelado (Castles in Space)
15.Robinson Número 2 (Anti-Matter Man)
16.Ataque à Terra (Target: Earth)
17.Penny, A Princesa do Espaço (Princess Of Space)
18.O Mercador do Tempo (The Time Merchant)
19.O Planeta Prometido (The Promised Planet)
20.Os Fugitivos (Fugitives In Space)
21.O Concurso de Beleza Cósmica (Space Beauty)
22.O Inacreditável Monstro Vegetal (The Flamig Planet)
23.A Revolta das Plantas (The Great Vegetable Rebellion)
24.A Enorme Sucata do Espaço (Junkyard of Space)


FONTE: http://pt.wikipedia.org/wiki/Lost_in_Space

sábado, 15 de janeiro de 2011

PAPAI SABE TUDO

PAPAI SABE TUDO



Título original: Father Knows Best


A história da série Papai Sabe Tudo ou Father Knows Best começou no dia 20 de dezembro de 1948, quando o escritor Ed James resolveu gravar um disco, onde narrava o dia-a-dia de um pai de família chamado Jim Henderson, que depois passou a se chamar Jim Anderson.


Alguns meses mais tarde, exatamente no dia 25 de agosto de 1949, esta história passou a ser apresentada na Rádio NBC, como Father Knows Best? (com interrogação), contando a história de uma família de classe média, típica dos anos cinqüenta, composto pelo pai Jim Anderson, vocalizado exatamente por Robert Young, que mais tarde seria o protagonista da série de televisão.


A história do espetáculo era centrado num homem que trabalhava como um agente de seguro e tinha uma boa família, composta pela sua esposa Margareth, que inicialmente foi interpretada por June Whitley, depois substituída por Jean Vander Pyl, juntamente com seus filhos Betty (Rhoda Williams), Bud (Ted Donaldson) e Kathy (Norma Jean Nilson), além de outros participantes como Eleanor Audley, Erva Vigram e Sam Edwards. O programa era apresentado toda quinta-feira à noite e assim permaneceu até o seu encerramento em 19 de novembro de 1953.


Pouco tempo depois a companhia produtora Rodney-Young Enterprises transplantou o espetáculo para a televisão, mantendo o mesmo esquema básico e personagens, retirando apenas a interrogação do título da série, pois o mesmo sugeria um papel do pai de um árbitro um tanto duvidoso. Do elenco do rádio somente Robert Young continuou fazendo o papel, os outros foram substituídos por novos atores.


O ator Robert Young e o produtor Eugene B. Rodney eram amigos desde 1935 e baseado nas suas experiências que cada um tinha com as esposas e filhos, resolveram produzir esta comédia para a televisão, reinterpretando novamente as apresentações que eram feitas na rádio e acrescentando um pouco de daquilo que eles gostariam que acontecessem em suas casas no dia-a-dia.


Todo o dia, Jim Anderson (Robert Young) chegava em casa e encontrava pela frente os acontecimentos normais do cotidiano de toda casa, mas depois de tirar os sapatos e vestir uma roupa bem mais confortável, ele procura resolver com muita sabedoria e bom humor todos aqueles conflitos.


Era um pai afetuoso com a mulher Margareth (Jane Wyatt) e tratava os filhos com muito carinho, gostava saber dos seus problemas e adorava chamar a sua filha mais velha Betty (Elinor Donahue) de princesa, sem esquecer da precoce caçula da família Kathy (Lauren Chapin) e do adolescente Bud (Billy Gray).


O espetáculo da televisão possuía diferenças marcantes em relação a rádio. Lá na rádio, Jim era bem mais sarcástico e mostrava quem realmente “regia” sua família. Bud era retratado como um garoto pouco inteligência, que levava tudo ao pé da letra.


Betty era mostrada como uma adolescente doida que a tudo respondia “A pior coisa que podia me acontecer”, por menor que fosse a coisa e em diversas ocasiões Jim se referia aos seus filhos como um grupo de crianças estúpidas, mas Margareth se mostrava uma pessoa razoável e muito paciente.


Father Knows Best foi talvez a mais importante comédia familiar dos anos cinqüenta, mais pelo que ela representava do que na realidade era de fato. Em essência, a série era uma comédia familiar de classe média onde o pai era mostrado como aquele que melhor sabia do que era bom para sua esposa e seus filhos.


Hoje muitos críticos vêem o espetáculo como apenas uma boa diversão e na pior da hipótese como o crítico David Marc etiquetou certa vez: “um melodrama de brancos dos anos cinqüenta”. A série da televisão é também freqüentemente citada e considerada como um exemplo de conservadorismo e paternalismo da vida familiar da classe média norte-americana dos anos cinqüenta e também um retrato muito bonito e perfeito da vida em família.


Nenhuma das crianças experimentava qualquer tipo de problema social, apesar de alguns de seus atores enfrentarem na vida real problemas sociais graves como alcoolismo, por exemplo, mas a falta de necessidade da então míope televisão da época fez Young e Rodney pisar de leve e sempre andar em paralelo com a realidade, sempre evitando mostrar a América real, assim como também faziam outras instituições norte-americanas.


Father Knows Best foi produzida pela companhia produtora Screen Gems, passando a ser apresentado na televisão a partir de 3 de outubro de 1954, pela rede CBS e encerrando no dia 17 de setembro de 1950, num total de 203 episódios.


Depois do término da série, Robert Young, no auge de sua popularidade, saiu para trabalhar em outros projetos, mas as reprises continuaram a ser apresentado por mais dois anos pela CBS, entre 1960 a 1962 e mais um ano, entre 1962 a 1963, pela rede ABC, que continuou a reapresentar em outras épocas durante vários anos.


Robert Young ganhou dois Emmy Awards pelo seu papel e Jane Wyatt ganhou três. O elenco da televisão se reuniu num par de filmes para a televisão NBC como em Father Knows Best Reunioun, em 15 de maio de 1977 e Father Knows Best: Home for Christmas em 18 de dezembro de 1977.


No Brasil esta série ficou conhecida como Papai Sabe Tudo e fez um tremendo sucesso quando apresentado aqui pela primeira vez, tanto que o comediante Renato Corte Real fez um programa que parodiava esse seriado chamado Papai Sabe Nada, onde tudo geralmente acontecia ao contrário da série de televisão. A série norte-americana foi apresentada na TV Tupi na década de 60, na Rede Globo na de 70 e na TV Cultura em 80.


Elenco




Robert Young como James "Jim" Anderson

Jane Wyatt como Margaret Anderson

Billy Gray como James "Bud" Anderson, Jr.

Elinor Donahue como Betty "Princess" Anderson

Lauren Chapin como Kathleen "Kitten" Anderson




=====================




Essa série, dos anos 50, fez muito sucesso no EUA e no resto do mundo. Robert Young era Jim Anderson, um agente de seguros e pai de uma bela família. Todo dia, após o trabalho, Jim chegava em casa, tirava seus sapatos, trocava seu terno por roupas confortáveis e se deparava com os problemas típicos de uma família com adolescentes. Seus três filhos eram suficientes para deixá-lo maluco.

A série se iniciou no rádio, em 1949 e chegou a TV em 1954, ficando no ar até 1960, com um total de 203 episódios. No Brasil a série foi apresentada pela TV Tupi e Globo, nos anos 60 e 70.


Elenco

Jim Anderson ........................................Robert Young
Margaret Anderson.................................... Jane Wyatt
Betty Anderson (Princess).................... Elinor Donahue
James Anderson, Jr. (Bud).......................... Billy Gray
Kathy Anderson (Kitten)......................... Laurin Chapin
Miss Thomas ..........................................Sarah Selby
Ed Davis (1955-1959).............................. Robert Foulk
Myrtle Davis (1955-1959)............................. Vivi Jannis
Dotty Snow (1954-1957)........................... Yvonne Lime
Kippy Watkins (1954-1959)..................... Paul Wallace
Claude Messner (1954-1959)................... Jimmy Bates
Doyle Hobbs (1957-1958)......................... Roger Smith
Ralph Little (1957-1958)..................... Robert Chapman
April Adams (1957-1958)........................... Sue George
Joyce Kendall (1958-1959)....... Jymme (Roberta) Shore




FONTE: http://www.mofolandia.com.br/mofolandia_nova/papai_sabe_tudo.htm


http://www.tvsinopse.kinghost.net/p/papai.htm




TEORIA DE DARWIN

Charles Robert Darwin
Nacido: FRS Shrewsbury, 12 de Fevereiro de 1809
Morreu: Downe, Kent, 19 de Abril de 1882
Foi um naturalista britânico que alcançou fama ao convencer a comunidade científica da ocorrência da evolução e propor uma teoria para explicar como ela se dá por meio da seleção natural e sexual. Esta teoria se desenvolveu no que é agora considerado o paradigma central para explicação de diversos fenômenos na Biologia. Foi laureado com a medalha Wollaston concedida pela Sociedade Geológica de Londres, em 1859.

Darwin começou a se interessar por história natural na universidade enquanto era estudante de Medicina e, depois, Teologia. A sua viagem de cinco anos a bordo do brigue HMS Beagle e escritos posteriores trouxeram-lhe reconhecimento como geólogo e fama como escritor. Suas observações da natureza levaram-no ao estudo da diversificação das espécies e, em 1838, ao desenvolvimento da teoria da Seleção Natural. Consciente de que outros antes dele tinham sido severamente punidos por sugerir ideias como aquela, ele as confiou apenas a amigos próximos e continuou a sua pesquisa tentando antecipar possíveis objeções. Contudo, a informação de que Alfred Russel Wallace tinha desenvolvido uma ideia similar forçou a publicação conjunta das suas teorias em 1858.

Em seu livro de 1859, "A Origem das Espécies" (do original, em inglês, On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or The Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life), ele introduziu a ideia de evolução a partir de um ancestral comum, por meio de seleção natural. Esta se tornou a explicação científica dominante para a diversidade de espécies na natureza. Ele ingressou na Royal Society e continuou a sua pesquisa, escrevendo uma série de livros sobre plantas e animais, incluindo a espécie humana, notavelmente "A descendência do Homem e Seleção em relação ao Sexo" (The Descent of Man, and Selection in Relation to Sex, 1871) e "A Expressão da Emoção em Homens e Animais" (The Expression of the Emotions in Man and Animals, 1872).

Em reconhecimento à importância do seu trabalho, Darwin foi enterrado na Abadia de Westminster, próximo a Charles Lyell, William Herschel e Isaac Newton.] Foi uma das cinco pessoas não ligadas à família real inglesa a ter um funeral de Estado no século XIX.


Biografia

Infância e educação


Charles Darwin com sete anos, em 1816, um ano antes da morte da sua mãe.Charles Darwin nasceu na casa da sua família em Shrewsbury, Shropshire, Inglaterra, em 12 de fevereiro de 1809. Ele foi o quinto dos seis filhos do médico Robert Darwin e sua esposa Susannah Darwin. Seu avô paterno foi Erasmus Darwin e seu avô materno, o famoso ceramista Josiah Wedgwood, ambos pertencentes à proeminente e abastada família Darwin-Wedgwood e à elite intelectual da época. Sua mãe morreu quando ele tinha apenas oito anos. No ano seguinte, em 1818, Darwin foi enviado para a escola Shrewsbury. Ali, ele só se interessava em colecionar minerais, insetos e ovos de pássaros, caça, cães e ratos.

Em 1825, depois de passar o verão como médico aprendiz ajudando o seu pai no tratamento dos pobres de Shropshire, Darwin foi estudar medicina na Universidade de Edimburgo. Contudo, sua aversão à brutalidade da cirurgia da época levou-o a negligenciar os seus estudos médicos. Na universidade, ele aprendeu taxidermia com John Edmonstone, um ex-escravo negro, que lhe contava muitas histórias interessantes sobre as florestas tropicais na América do Sul. Em seu segundo ano, Darwin se tornou um ativo participante de sociedades estudantis para naturalistas. Participou, por exemplo, da Sociedade Pliniana, onde se liam comunicações sobre história natural. Durante esta época, ele foi pupilo de Robert Edmund Grant, um pioneiro no desenvolvimento das teorias de Jean-Baptiste Lamarck e do seu avô Erasmus Darwin sobre a evolução de características adquiridas. Darwin tomou parte das investigações de Grant a respeito do ciclo de vida de animais marinhos. Tais investigações contribuíram para a formulação da teoria de que todos os animais possuem órgãos similares e diferem apenas em complexidade. No curso de história natural de Robert Jameson, ele aprendeu sobre geologia estratigráfica. Mais tarde, ele foi treinado na classificação de plantas enquanto ajudava nos trabalhos com as grandes coleções do Museu da Universidade de Edimburgo.

Em 1827, seu pai, decepcionado com a falta de interesse de Darwin pela medicina, matriculou-o em um curso de Bacharelado em Artes na Universidade de Cambridge para que ele se tornasse um clérigo. Nesta época, clérigos tinham uma renda que lhes permitia uma vida confortável e muitos eram naturalistas uma vez que, para eles, "explorar as maravilhas da criação de Deus" era uma de suas obrigações. Em Cambridge, entretanto, Darwin preferia cavalgar e atirar a ficar estudando. Ele também passava muito do seu tempo coletando besouros com o seu primo William Darwin Fox. Este o apresentou ao reverendo John Stevens Henslow, professor de botânica e especialista em besouros que, mais tarde, viria a se tornar o seu tutor. Darwin ingressou no curso de história natural de Henslow e se tornou um de seus alunos favoritos. Durante esta época, Darwin se interessou pelas ideias de William Paley, em particular, a noção de projeto divino na natureza. Em suas provas finais em janeiro de 1831, ele se saiu muito bem em teologia e, mesmo tendo feito apenas o suficiente para passar no estudo de clássicos, matemática e física, foi o décimo colocado entre 178 aprovados.

Seguindo os conselhos e exemplo de Henslow, Darwin não se apressou em ser ordenado. Inspirado pela narrativa de Alexander von Humboldt, ele planejou se juntar a alguns colegas e visitar a Tenerife para estudar história natural dos trópicos. Como preparação, Darwin ingressou no curso de Geologia do reverendo Adam Sedgwick, um forte proponente da teoria de projeto divino, e viajou com ele como um assistente no mapeamento estratigráfico no País de Gales. Contudo, seus planos de viagem à Ilha da Madeira foram subitamente desfeitos ao receber uma carta que lhe informava a morte de um dos seus prováveis colegas de viagem. Outra carta, entretanto, recebida ao retornar para casa, o colocaria novamente em viagem. Henslow havia recomendado que Darwin fosse o acompanhante de Robert FitzRoy, capitão do barco inglês HMS Beagle, em uma expedição de dois anos que deveria mapear a costa da América do Sul.[ Isto lhe daria a oportunidade de desenvolver a sua carreira como naturalista. Esta se tornaria uma expedição de quase cinco anos que teria profundo impacto em muitas áreas da Ciência.


A viagem do Beagle

Ver artigo principal: A Viagem do Beagle


O percurso da viagem do HMS Beagle.A viagem do Beagle durou quatro anos e nove meses, dois terços dos quais Darwin esteve em terra firme. Ele estudou uma rica variedade de características geológicas, fósseis, organismos vivos e conheceu muitas pessoas, entre nativos e colonos. Darwin coletou metodicamente um enorme número de espécimes, muitos dos quais novos para a ciência. Isto estabeleceu a sua reputação como um naturalista e fez dele um dos precursores do campo da Ecologia, particularmente a noção de Biocenose. Suas anotações detalhadas mostravam seu dom para a teorização e formaram a base para seus trabalhos posteriores, bem como forneceram visões sociais, políticas e antropológicas sobre as regiões que ele visitou.

Durante a viagem, Darwin leu o livro "Princípios da Geologia" de Charles Lyell, que descrevia características geológicas como o resultado de processos graduais ocorrendo ao longo de grandes períodos de tempo. Ele escreveu para casa que via formações naturais como se através dos olhos de Lyell: degraus planos de pedras com o aspecto característico de erosão por água e conchas na Patagônia eram sinais claros de praias que haviam se elevado; no Chile, ele experimentou um terremoto e observou pilhas de mexilhões encalhadas acima da maré alta o que mostrava que toda a área havia sido elevada; e mesmo no alto dos Andes ele foi capaz de coletar conchas. Darwin ainda teorizou que atóis de coral iam se formando gradualmente em montanhas vulcânicas à medida que estas afundavam no mar, uma ideia confirmada posteriormente quando o Beagle esteve nas ilhas Cocos (keeling).

Na América do Sul, ele descobriu fósseis de animais extintos como o megatério e o gliptodonte em camadas que não mostravam quaisquer sinais de catástrofe ou mudanças climáticas. Naquele tempo, ele pensava que aquelas eram espécimes similares às encontradas na África mas, após a sua volta, Richard Owen lhe mostrou que os fósseis encontrados eram mais similares a animais não extintos que viviam na mesma região (preguiças e tatus). Na Argentina, duas espécies de ema viviam em territórios separados mas compartilhavam áreas comuns. Nas ilhas Galápagos, Darwin descobriu que cotovias (mockingbirds) diferiam de uma ilha para outra. Ao retornar à Inglaterra, foi lhe mostrado que o mesmo ocorria com as tartarugas e tentilhões. O rato-canguru e o ornitorrinco, encontrados na Austrália, eram animais tão estranhos que levaram Darwin a pensar que "Um incrédulo... poderia dizer que 'seguramente dois criadores diferentes estiveram em ação'". Todas estas observações o deixaram muito intrigado e, na primeira edição de "A Viagem do Beagle", ele explicou a distribuição das espécies à luz da teoria de Charles Lyell de "centros de criação". Em edições posteriores, ele já dava indicações de como via a fauna encontrada nas Ilhas Galápagos como evidência para a evolução: "é possível imaginar que algumas espécies de aves neste arquipélago derivam de um número pequeno de espécies de aves encontradas originalmente e que se modificaram para diferentes finalidades".


HMS Beagle na Austrália (centro), aquarela pintada por Owen Stanley em 1841.Três nativos foram trazidos de volta pelo Beagle para a Terra do Fogo. Eles tinham sido "civilizados" na Inglaterra nos dois anos anteriores, ainda que os seus parentes parecessem à Darwin selvagens pouco acima de outros animais. Em um ano, entretanto, aqueles missionários voltaram ao que eram e, de fato, preferiam esta condição uma vez que não quiseram retornar à Inglaterra. Esta experiência somada a repulsa de Darwin pela escravidão e outros abusos que ele viu em vários lugares, tais como o tratamento desumano dos nativos por colonos ingleses na Tasmânia, o persuadiram de que não há justificativa moral para maltratar outros homens baseado no conceito de raça. Ele passou então a acreditar que a humanidade não se encontrava tão distante dos outros animais como diziam seus amigos do clero.

A bordo do barco, Darwin sofria constantemente de enjoo. Em outubro de 1833 ele pegou uma febre na Argentina e em julho de 1834, enquanto retornando dos Andes a Valparaíso, adoeceu e ficou um mês de cama. De 1837 em diante, Darwin passou a sofrer repetidamente de dores estomacais, vômitos, graves tremores, palpitações, e outros sintomas. Estes sintomas se agravavam particularmente em épocas de estresse, tais como quando tinha de lidar com as controvérsias relacionadas à sua teoria. A causa da doença de Darwin foi desconhecida durante a sua vida e tentativas de tratamento tiveram pouco sucesso. Uma ideia esposada por Kettlewell e Julian Huxley, no início da década de 1960, defende que ele contraiu a Doença de Chagas ao ser picado por um inseto na América do Sul. No entanto, os autores reconhecem que especialistas nessa doença indicam que não há concordância dos sintomas de Darwin com os da doença. Outras possíveis causas incluem problemas psicológicos e a doença de Ménière.


Carreira como cientista e concepção da teoria


Ainda jovem, Charles Darwin ingressou na elite científica.Enquanto Darwin ainda estava em viagem, Henslow cuidadosamente cultivou a reputação de seu antigo pupilo fornecendo a vários naturalistas os espécimes fósseis e cópias impressas das descrições geológicas que Darwin fazia. Quando o Beagle retornou em 2 de outubro de 1836, Darwin era uma celebridade no meio científico. Ele visitou a sua casa em Shrewsbury e descobriu que seu pai havia feito vários investimentos de forma que Darwin pudesse ter uma vida tranquila. Mais que isto, ele poderia ter uma carreira científica autofinanciada. Darwin foi então a Cambridge e convenceu Henslow a fazer descrições botânicas das plantas que ele havia coletado. Depois se dirigiu a Londres onde procurou os melhores naturalistas para descrever as suas outras coleções de forma a poder publicá-las posteriormente. Um entusiasmado Charles Lyell encontrou Darwin em 29 de outubro e o apresentou ao jovem e promissor anatomista Richard Owen. Depois de trabalhar na coleção de ossos fossilizados de Darwin no Royal College of Surgeons, Owen surpreendeu a todos ao revelar que alguns dos ossos eram de tatus e preguiças gigantes extintas. Isto melhorou a reputação de Darwin. Com a ajuda entusiasmada de Lyell, Darwin apresentou seu primeiro artigo na Geological Society de Londres em 4 de janeiro de 1837, afirmando que a massa terrestre da América do Sul estava se erguendo lentamente. No mesmo dia, Darwin apresentou seus espécimes de mamíferos e aves à Zoological Society. Os mamíferos ficaram aos cuidados de George R. Waterhouse. Embora, em princípio, os pássaros parecessem merecer menos atenção, o ornitólogo John Gould revelou que o que Darwin pensara serem corruíras (wrens), melros e tentilhões levemente modificados de Galápagos eram de fato tentilhões, mas cada um de uma espécie distinta. Outros no Beagle, incluindo o capitão FitzRoy, também tinham coletado estes pássaros mas haviam sido mais cuidadosos com suas anotações, o que permitiu a Darwin determinar de que ilha cada espécie era originária.

Em Londres, Darwin ficava com o seu irmão e livre pensador Erasmus e, em jantares, eles encontravam-se com outros pensadores que imaginavam um Deus guiando a sua criação unicamente por meio de leis naturais. Entre eles, estava a escritora Harriet Martineau, cujas histórias promoviam a reforma das leis de proteção social de acordo com as ideias de Malthus. Nos meios científicos, ideias como a transformação de uma espécie em outra (transmutação) eram controversamente associadas com radicalismo político. Por isto, Darwin preferia a respeitabilidade de seus amigos mesmo quando não concordava plenamente com as ideias deles, tais como a crença de que a história natural devesse justificar religiões ou ordem social.

Em 17 de fevereiro de 1837, Lyell aproveitou o seu discurso presidencial na Geological Society para apresentar as descobertas de Owen em relação aos fósseis de Darwin, enfatizando as implicações do fato de que espécies extintas encontradas em uma região fossem relacionadas a outras que viviam atualmente na mesma região. Neste mesmo encontro, Darwin foi eleito para o conselho da Geological Society. Ele já tinha sido convidado por FitzRoy para contribuir com o seu diário e notas pessoais para a seção de história natural do livro que o capitão estava escrevendo sobre a viagem do Beagle. Darwin também estava trabalhando em um livro sobre a geologia da América do Sul. Ao mesmo tempo, ele especulava sobre a transmutação de espécies no caderno de anotações que ele tinha iniciado no Beagle. Outro projeto que ele iniciou na mesma época foi a organização dos relatórios dos vários especialistas que haviam trabalhado em suas coleções em um livro de múltiplos volumes chamado "Zoologia da viagem do H.M.S. Beagle" (Zoology of the Voyage of H.M.S. Beagle). Darwin concluiu o seu diário em 20 de junho e, em julho, iniciou seu livro secreto sobre transmutação, onde desenvolveu a hipótese de que, apesar de cada ilha de Galápagos ter sua própria espécie de tartaruga, todas elas eram originárias de uma única espécie que tinha se adaptado à vida nas diferentes ilhas de diferentes modos.

Sob a pressão de concluir Zoologia e corrigir as revisões de seu diário, a saúde de Darwin deteriorou. Em 20 de setembro de 1837, ele sofreu palpitações do coração e foi passar um mês no campo para se recuperar. Ele visitou Maer Hall onde sua tia inválida estava sob os cuidados de sua irmã Emma Wedgwood e entreteve seus parentes com as histórias de suas viagens. Após o seu retorno do campo, ele evitava tomar parte de eventos oficiais que poderiam lhe tomar um tempo precioso. Contudo, por volta de março de 1838, William Whewell o recrutou como secretário da Geological Society. Mas logo a sua doença o forçou a novamente deixar seu trabalho e ele seguiu para Escócia para "fazer geologia". Ali, visitou Glen Roy para ver um fenômeno conhecido como "estradas" (roads) que ele (incorretamente) identificou como praias que se elevaram.


Charles casou com a sua prima Emma Wedgwood.Completamente recuperado, ele retornou a Shrewsbury. Raciocinando cientificamente sobre a sua carreira e ambições, ele fez uma lista com as colunas "Casar" e "Não casar". Entradas na coluna pró-casamento incluíam "companhia constante e um amigo na velhice ... melhor que um cão de qualquer modo," enquanto listado entre as desvantagens estavam "menos dinheiro para livros" e "terrível perda de tempo". Os prós venceram. Ele discutiu a ideia de casar com o pai e então foi visitar sua prima Emma em 29 de julho de 1838. Ele não propôs casamento mas, contrariando os conselhos do pai, contou-lhe sobre as suas ideias de transmutação de espécies. Enquanto os seus pensamentos e trabalho continuavam em Londres, durante o outono, sua saúde voltou a definhar e ele passou a sofrer repetidas crises. Em 11 de novembro ele pediu Emma em casamento e, uma vez mais, lhe falou de suas ideias. Ela aceitou mas permaneceria sempre preocupada que os lapsos de fé de Darwin acabariam por pôr em risco a possibilidade de, como ela acreditava, se encontrarem após a morte.

Darwin considerou o raciocínio de Malthus de que a população humana aumenta mais rapidamente que a produção de alimentos, levando-a a uma competição e tornando qualquer esforço de caridade inútil. Ele viu naquela ideia uma forma de explicar (a) seus achados sobre espécies extintas que se relacionavam mais com outras não extintas encontradas na mesma região, (b) a similaridade entre espécies próximas umas das outras, (c) suas dúvidas derivadas da criação de animais e (d) sua incerteza quanto a existência de uma "lei de harmonia" na natureza. No fim de novembro de 1838, ele começou a comparar o processo de seleção de características feito por criadores de animais com uma natureza Malthusiana selecionando variantes aleatoriamente de forma que "toda a parte de uma nova característica adquirida é colocada em prática e aperfeiçoada", e pensou nisto como "a mais bela parte da minha teoria" de como novas espécies se originam. Ele estava procurando uma casa e acabou por encontrar "Macaw Cottage" na rua Gower, Londres, e então mudou seu "museu" para lá em dezembro. Ele já mostrava sinais de cansaço e Emma lhe escreveu sugerindo que ele descansasse, comentando quase profeticamente "Não adoeça mais meu querido Charley até que eu esteja aí para cuidar de você". Em 24 de janeiro de 1839, Darwin foi eleito membro da Royal Society e apresentou seu artigo sobre as "estradas" de Glen Roy


Casamento e filhos


Darwin em 1842 com o seu filho mais velho, William Erasmus Darwin.Em 29 de janeiro de 1839, Darwin casou com sua prima Emma Wedgwood em Maer. Depois de primeiro morar em Gower Street, Londres, o casal mudou para Down House em Downe em 17 de setembro de 1842. Os Darwin tiveram dez filhos, três dos quais morreram prematuramente. Muitos deles e de seus netos alcançaram notabilidade.

William Erasmus Darwin (27 de dezembro de 1839–1914)
Anne Elizabeth Darwin (2 de março de 1841 – 22 de abril de 1851)
Mary Eleanor Darwin (23 de setembro de 1842 – 16 de outubro de 1842)
Henrietta Emma "Etty" Darwin (25 de setembro de 1843–1929)
George Howard Darwin (9 de julho de 1845 – 7 de dezembro de 1912)
Elizabeth "Bessy" Darwin (8 de julho de 1847–1926)
Francis Darwin (16 de agosto de 1848 – 19 de setembro de 1925)
Leonard Darwin (15 de janeiro de 1850 – 26 de março de 1943)
Horace Darwin (13 de maio de 1851 – 29 de setembro de 1928)
Charles Waring Darwin (6 de dezembro de 1856 – 28 de junho de 1858)
Muitos dos seus filhos sofreram de doenças ou fraquezas e o temor de Darwin de que isto se devesse ao fato de que ele e Emma eram primos foi expresso em seus textos sobre os efeitos do acasalamento entre indivíduos de linhagens mais próximas (inbreeding) ou mais distantes (crossing).


Evolução por selecção natural


Temendo tanto as críticas científicas quanto as religiosas, Darwin passou décadas desenvolvendo as suas teorias evolutivas quase sempre em segredo.Darwin era agora um eminente geólogo no meio científico formado por clérigos naturalistas, com uma renda segura e trabalhando secretamente em sua teoria. Ele tinha muito a fazer, escrevendo sobre todos os seus achados e supervisionando a preparação dos vários volumes da "Zoologia" que deveriam descrever as suas colecções. Ele estava convencido da ocorrência da evolução mas, desde muito tempo, sempre esteve consciente de que a ideia de transmutação de espécies era vista como uma blasfêmia, bem como era associada com agitadores democráticos radicais na Inglaterra; portanto, a publicação de suas ideias poderia significar a demolição de sua reputação e, consequentemente, a sua ruína. Assim, ele fazia experimentos minuciosos com plantas e consultava frequentemente muitos criadores de animais, incluindo criadores de pombos e porcos, na tentativa de encontrar repostas convincentes para todos os contra-argumentos que ele conseguia antever.

Quando FitzRoy publicou seu livro sobre a viagem do Beagle em maio de 1839, o diário e comentários de Darwin foram um grande sucesso. Mais tarde naquele ano, o diário foi publicado isoladamente em um livro que se tornou um sucesso de vendas hoje conhecido como "A Viagem do Beagle" (The Voyage of the Beagle). Em Dezembro de 1839, durante a primeira gravidez de Emma, a saúde de Darwin voltou a ficar comprometida e ele conseguiu avançar muito pouco em seus trabalhos no ano seguinte.

Darwin tentou explicar sua teoria para amigos mais próximos, mas eles demoraram a mostrar interesse e pensavam que uma selecção exige um seleccionador divino. Em 1842 a família se moveu para a sua casa no campo (Down House) para escapar da pressão de Londres. Ali, Darwin escreveu um pequeno texto esboçando a sua teoria que, em 1844, seria expandido para um documento de 240 páginas intitulado "Ensaio". Darwin completou seu terceiro livro sobre geologia em 1846. Auxiliado por um amigo, o jovem botânico Joseph Dalton Hooker, ele iniciou um estudo aprofundado sobre cracas. Em 1847, Hooker leu o "Ensaio" e fez comentários que forneceram a Darwin a opinião externa que ele precisava.

Darwin temia publicar a teoria de forma incompleta considerando o fato de que as suas ideias sobre evolução poderiam ser altamente controversas se, de fato, alguma atenção fosse dada a elas. Outras ideias sobre evolução - especialmente o trabalho de Jean-Baptiste Lamarck - tinham sido consistentemente rejeitadas pela comunidade científica britânica e foram associadas à noção de radicalismo político. A publicação anónima de "Vestígios da História Natural da Criação" (Vestiges of the Natural History of Creation) em 1844 gerou outra controvérsia sobre radicalismo e evolução e foi severamente atacada pelos amigos de Darwin, o que assegurava que nenhum cientista de reputação iria querer estar associado com tais ideias.

Para tentar tratar a sua doença, Darwin foi a um spa em Malvern em 1849 e, para a sua surpresa, verificou que os dois meses de tratamento com água o ajudaram. Em seu estudo sobre cracas ele descobriu "homologias" que suportavam a sua teoria por mostrar que partes de um corpo levemente modificadas poderiam servir a funções diferentes em novos contextos. Foi então que a sua querida filha Annie adoeceu despertando novamente os seus temores de que sua doença pudesse ser hereditária. Após um longo sofrimento, ela morreu e Darwin perdeu toda a sua fé em um Deus benevolente.

Nesta época, ele conheceu o jovem naturalista, e livre pensador, Thomas Huxley que se tornaria um amigo próximo e grande aliado. O trabalho de Darwin sobre cracas (Cirripedia) lhe valeu a medalha real da Royal Society em 1853, estabelecendo definitivamente a sua reputação como biólogo. Ele completou este estudo em 1854 e voltou a sua atenção para a sua teoria de transmutação de espécies.


Darwin vs Mendel

Mendel foi o primeiro geneticista conhecido. Com os seus estudos, por muito que contendo factores alienígenas incontroláveis, Mendel comprovou que geneticamente (termo ainda não referido por este) os factores e características passavam de pais para filhos, hereditariamente, na sua regra de 3:1. Esta explicação era a justificação necessária na teoria evolucionista de Darwin, para explicar a maneira como algumas características “evoluíam” e outras se extinguiam.

Porém, ainda que as teorias de Mendel se enquadrassem perfeitamente nas ideias de Darwin, na altura em que Mendel as começou a estudar, em nada auxiliaria na teoria evolutiva. Ainda não existiam meios de comprovar completamente os dados que Mendel obtinha nas suas experimentações (pelo que se explica os quase 35 anos que as suas descobertas permaneceram na escuridão), e o próprio Mendel não interligava as suas teorias com algo relacionado com evolução (enquadremos a situação no termo histórico da época, Mendel era um monge devotado, logo completamente Criacionista). Para não falar do facto de que na altura, era impossível Mendel aliar as suas descobertas a Darwin, ou Darwin aceitar as descobertas de Mendel. Não é por um cientista estar a escrever uma teoria evolucionária, que irá englobar nesta todas as ideias “tresloucadas” da altura. Sendo que se Darwin englobasse a teoria de Mendel na sua, ou se incluísse dados desta, era mais um argumento impossível de comprovar, e mais um motivo de polémica e de descrédito para o seu nome no seio da comunidade científica (algo que Darwin temia).

A genética e a evolução Darwiniana foram inimigos desde o início de ambos os conceitos. Ao mesmo tempo que Darwin afirmava que os seres podiam “evoluir” para outros seres, Mendel demonstrava que características individuais mantinham-se constantes. Enquanto as ideias de Darwin se baseavam em fundamentos erróneos e não testados sobre hereditariedade, as conclusões de Mendel foram fundadas em experimentação cuidada.”

Se Darwin pudesse aceder aos trabalhos de Mendel já comprovados, tal poderia levar a que mudasse a sua teoria, adicionando factos e argumentos que se enquadram bem na teoria evolutiva, mas enquanto os conceitos de Darwin se baseavam em “variação, mutação, e “ligeira” hereditariedade”, os de Mendel assentavam em “variação descontinua e hereditariedade extremamente acentuada, sem mutações”.

Então, se Darwin tivesse tomado conhecimento das teorias de Mendel na altura, pouco poderia mudar, ou auxiliar na teoria evolutiva. Poderia ter encontrado alguma resposta para as suas perguntas, mas não existia na altura maneira de comprovar a genética que apenas começou a ganhar a sua importância no final do século XIX, vistas comprovadas as teorias de Mendel. Logo não existiria uma teoria tão sólida como a que apareceu futuramente (neo-Darwinismo) aliando a evolução à genética, com comprovações científicas e bases em experimentações cuidadosas. Na altura em que a teoria evolutiva foi publicada, mesmo com a ajuda dos trabalhos de Mendel, Charles Darwin nunca teria conseguido interpretar tantos factores, não atingindo uma teoria tão coesa como o Neo-Darwinismo, que aliou todas as áreas da Biologia, tornando a Genética e a Evolução irmãos de mãos dadas.


Anúncio e publicação da teoria

A Origem das Espécies e Evolução.

Darwin encontrou uma resposta para o problema de como gêneros divergem ao fazer uma analogia com as ideias de divisão de trabalho na indústria. Variedades especializadas de um gênero, ao encontrarem nichos nos quais sua especialização é mais útil, forçariam a diversificação em espécies. Ele experimentou com sementes, testando a sua habilidade de sobreviver à água salgada, para determinar se uma espécie poderia se transferir para uma ilha isolada pelo mar. Ele também passou a criar pombos para testar a sua hipótese de que a seleção natural era comparável à "seleção artificial" usada por criadores de pombos.


Capa do livro A Origem das Espécies, de 1859Foi então que, na primavera de 1856, Lyell leu um artigo sobre a introdução de espécies escrito por Alfred Russel Wallace, um naturalista trabalhando no Bornéo. Ciente da similaridade entre este trabalho e o de Darwin, Lyell pressionou Darwin para que publicasse o quanto antes a sua teoria, de forma a estabelecer precedência. Apesar de sua doença, Darwin iniciou o livro de três volumes intitulado "Seleção Natural" ("Natural Selection"), obtendo espécimes e informações de naturalistas como Asa Gray e o próprio Wallace. Em dezembro de 1857, quando trabalhava em seu livro, Darwin recebeu uma carta de Wallace perguntando se ele se aprofundaria na questão das origens do homem. Ciente dos temores de Lyell, Darwin respondeu: "Eu acho que irei evitar completamente este assunto, uma vez que ele é rodeado de preconceitos, embora eu admita que este é o maior e mais interessante problema para um naturalista". Ele então encorajou Wallace a teorizar sobre o tema, dizendo "não há observações boas e originais sem especulação". Quando o seu manuscrito já alcançava 250 mil palavras, em junho de 1858, Darwin recebeu de Wallace o artigo em que aquele descrevera o mecanismo evolutivo que concebera. Wallace também solicitara a Darwin que o enviasse a Lyell. Darwin assim o fez, embora estivesse chocado que ele tivesse sido "prevenido" do fato. Embora Wallace não tivesse solicitado a publicação, Darwin se ofereceu para enviar o artigo a qualquer revista que ele desejasse. Ele descreveu o que se passava para Lyell e Hooker. Estes concordaram em uma apresentação conjunta na Lynnean Society, em 1 de julho, do artigo intitulado "Sobre a Tendência das Espécies de formarem Variedades; e sobre a Perpetuação das Variedades e Espécies por Meios Naturais de Seleção" (On the Tendency of Species to form Varieties; and on the Perpetuation of Varieties and Species by Natural Means of Selection). Infelizmente, o filho caçula de Darwin faleceu e ele não pôde comparecer à apresentação.

O anúncio inicial da teoria atraiu pouca atenção. Ela foi mencionada brevemente em algumas resenhas, mas para a maioria dos revisores era apenas mais uma entre muitas variações de pensamento evolutivo. Nos treze meses seguintes Darwin sofreu com sua saúde precária e fez um enorme esforço para escrever um resumo de seu "grande livro sobre espécies". Recebendo constante encorajamento de seus amigos cientistas, ele finalmente terminou o texto e Lyell cuidou para que o mesmo fosse publicado por John Murray. O livro recebeu o título "Sobre a origem das espécies por meio de seleção natural" (On the Origin of Species by Means of Natural Selection) e, quando foi colocado à venda em 22 de novembro de 1859, esgotou o estoque de 1250 cópias rapidamente. Naquela época, o termo "evolucionismo" implicava criação sem intervenção divina e, por isso, Darwin evitou usar as palavras "evolução" ou "evoluir", embora o livro terminasse anunciando que "um número incontável das mais belas e maravilhosas formas evoluíram e estão evoluindo". O livro só mencionava brevemente a ideia de que seres humanos também deveriam evoluir tal qual outros organismos. Darwin escreveu de forma propositadamente atenuada que "luz será lançada no tocante à origem do homem e sua história".


Reação
Efeito social da teoria evolutiva e Controvérsia da criação vs. evolução.

Caricatura publicada na revista Hornet, onde Darwin é retratado como um macaco.O livro de Darwin iniciou uma controvérsia pública que ele acompanhou atentamente, obtendo cortes de jornais de milhares de resenhas, críticas, artigos, sátiras, paródias e caricaturas. Críticos foram rápidos em apontar as implicações não discutidas no livro de que "homens fossem descendentes de macacos" ("men from monkeys"). Entretanto, houve resenhas favoráveis, entre elas, uma publicada no The Times escrita por Huxley que incluía críticas a Richard Owen, um expoente do meio científico que Huxley estava tentando "destronar". Owen pareceu inicialmente neutro mas então escreveu um artigo condenando o livro.

O corpo científico da Igreja da Inglaterra, incluindo os antigos tutores de Darwin em Cambridge, Sedgwick e Henslow, reagiu contra o livro, embora ele tenha sido bem recebido por uma nova geração de jovens naturalistas. Foi quando sete ensaios e resenhas feitas por sete teólogos anglicanos liberais declararam que milagres eram irracionais e atraíram a atenção para si, desviando-a de Darwin.

O confronto mais famoso ocorreu em um encontro da Associação Britânica para o Avanço da Ciência em Oxford. O professor John William Draper fez uma longa apresentação sobre Darwin e progresso social e, então, Samuel Wilberforce, o bispo de Oxford, atacou as ideias de Darwin. Em um acalorado debate, Joseph Hooker defendeu Darwin com tenacidade e Thomas Huxley se estabeleceu como o "bulldog de Darwin" – o mais veemente defensor da teoria evolutiva no palco Vitoriano. Conta-se que tendo sido questionado por Wilberforce se ele descendia de macacos por parte de pai ou de mãe, Huxley murmurou: "O Senhor o deixou em minhas mãos" e respondeu que "preferia ser descendente de um macaco que de um homem educado que usava sua cultura e eloquência a serviço do preconceito e da mentira" (isto é contestado, veja Wilberforce and Huxley: A Legendary Encounter). Logo se espalhou pelo país a história de que Huxley teria dito que preferia ser um macaco a um bispo.

Muitas pessoas sentiam que a visão de Darwin da natureza acabava com a importante distinção entre homem e animais. O próprio Darwin não defendia suas ideias em público, embora ele lesse avidamente tudo sobre o debate. Ele se encontrava frequentemente doente e apenas fazia comentários através de cartas e correspondência. Seu círculo central de amigos cientistas – Huxley, Hooker, Charles Lyell e Asa Gray – ativamente colocavam seu trabalho em discussão nos palcos científico e público, defendendo-o de seus muitos críticos e ajudando-o a ganhar o respeito que lhe valeu a medalha Copley da Royal Society em 1864. A teoria de Darwin também foi usada como base para vários movimentos da época e tornou-se parte da cultura popular. O livro foi traduzido para muitos idiomas e teve numerosas re-impressões. Tornou-se um texto científico acessível tanto para aos novos e curiosos cidadãos da classe média quanto para os trabalhadores e foi aclamado como o mais controverso e discutido livro científico de todos os tempos.


Últimos anos de vida


Em 1881, Darwin foi uma figura eminente, ainda trabalhando em suas contribuições ao pensamento evolutivo que teve um efeito enorme em muitos campos da ciência.Apesar dos sucessivos problemas de saúde que acometeram Darwin nos seus últimos vinte e dois anos de vida, ele continuou trabalhando avidamente, passando a se dedicar aos aspectos mais controversos do seu "grande livro" que ainda estavam por ser completados: a evolução da espécie humana a partir de animais mais primitivos, o mecanismo de seleção sexual que poderia explicar características de não tão óbvia utilidade além de mera beleza decorativa, bem como sugestões para as possíveis causas subjacentes ao desenvolvimento da sociedade e das habilidades mentais humanas. Seus experimentos, pesquisa e escrita continuaram.

Quando a filha de Darwin adoeceu, ele deixou de lado o seu trabalho e experimentos com sementes e animais para acompanhá-la em seu tratamento no campo. Ali, ele iniciaria o seu interesse por orquídeas selvagens que se desenvolveria em um estudo inovador sobre como as flores serviam para controlar a polinização feita pelos insetos e garantir a fertilização cruzada. Como já observara com as cracas, partes homólogas serviam a diferentes funções em diferentes espécies. De volta ao lar, ele adoeceu novamente em um quarto repleto de experimentos e plantas trepadeiras. Ainda assim, continuou o seu trabalho no livro "Variação" (Variation), que cresceu até ocupar dois volumes, o que o forçou a deixar de lado "A descendência do Homem e Seleção em relação ao Sexo". Uma vez impresso, o livro foi muito procurado.

A questão da evolução humana tinha sido amplamente discutida pelos seus simpatizantes (e críticos) logo depois da publicação da "Origem das Espécies" mas a contribuição do próprio Darwin para o tema só veio uma década mais tarde com os dois volumes de "A descendência do Homem e Seleção em relação ao Sexo" em 1871. No segundo volume, Darwin introduziu por completo o seu conceito de seleção sexual e explicou a evolução da cultura humana, as diferenças entre os sexos, a diferenciação entre raças bem como a bela plumagem dos pássaros. Um ano mais tarde, Darwin publicou seu último grande trabalho, "The Expression of the Emotions in Man and Animals", que era focado na evolução da psicologia humana e sua continuidade com o comportamento animal. Ele desenvolveu a sua ideia de que a mente humana e culturas foram desenvolvidas por meio de seleção natural e sexual, uma abordagem que foi revivida com a emergência da psicologia evolutiva. Como ele concluiu em a "Descendência do Homem", Darwin achava que apesar de todas as "qualidades nobres" e "capacidades sublimes" da humanidade:

O homem ainda traz em sua estrutura fisica a marca indelével de sua origem primitiva.

Darwin


Seus experimentos relacionados à evolução culminaram em cinco livros sobre plantas, e então seu último livro voltou à discussão sobre o efeito que minhocas tinham sobre o solo.

Darwin morreu em Downe, Kent, Inglaterra, em 19 de abril de 1882. Ele deveria ter sido enterrado no jardim da igreja de St Mary em Downe, mas atendendo ao pedido de seus colegas cientistas, William Spottiswoode (Presidente da Royal Society) cuidou para que ele tivesse um funeral de estado e Darwin foi enterrado na abadia de Westminster próximo a Charles Lyell, William Herschel e Isaac Newton.


Visão religiosa
Embora vários membros da família de Darwin fossem pensadores livres, abertamente lhes faltando crenças religiosas convencionais, ele inicialmente não duvidava da verdade literal da Bíblia. Ele frequentava uma escola da igreja da Inglaterra e, mais tarde, em Cambridge, estudou teologia Anglicana. Nesta época, ele estava plenamente convencido do argumento de William Paley de que o projeto perfeito da natureza era uma prova inequívoca da existência de Deus. Contudo, as suas crenças começaram a mudar durante a sua viagem no Beagle. Para ele, a visão de uma vespa paralisando uma larva de borboleta para que esta servisse de alimento vivo para seus ovos parecia contradizer a visão de Paley de projeto benevolente ou harmonioso da natureza. Enquanto a bordo do Beagle, Darwin era bastante ortodoxo e poderia citar a Bíblia como uma autoridade moral. Apesar disso, ele via as histórias no velho testamento como falsas e improváveis.


A morte da filha de Darwin, Annie, em 1851 foi o evento que minou definitivamente a crença de Darwin em um Deus benevolente.Ao retornar, ele investigou a questão de transmutação de espécies. Ele sabia que seus amigos naturalistas e clérigos pensavam em transmutação como uma heresia que enfraquecia as justificativas morais para a ordem social e sabiam que tais ideias revolucionárias eram especialmente perigosas em uma época em que a posição estabelecida da igreja da Inglaterra estava sob constante ataque de dissidentes radicais e ateus. Enquanto desenvolvia secretamente a sua teoria de Seleção Natural, Darwin chegou mesmo a escrever sobre a religião como uma estratégia tribal de sobrevivência, embora ele ainda acreditasse que Deus fosse o legislador supremo. Sua crença continuou diminuindo com o passar do tempo e, com a morte de sua filha Annie em 1851, Darwin finalmente perdeu toda a sua fé no cristianismo. Ele continuou a ajudar a igreja local e colaborar com o trabalho comunitário associado à igreja, mas, aos domingos, ia caminhar enquanto sua família ia para o culto. Em seus últimos anos de vida, quando perguntado sobre a visão que tinha a respeito da religião, ele escreveu que nunca tinha sido um ateu no sentido de negar a existência de Deus e, portanto, se descreveria mais corretamente como um agnóstico.

Charles Darwin contou em sua biografia que eram falsas as afirmações de que seu avô Erasmus Darwin teria clamado por Jesus em seu leito de morte. Darwin concluiu dizendo que "Era tal o estado de sentimento cristão neste país [em 1802].... Nós podemos apenas esperar que nada deste tipo prevaleça hoje". Apesar desta crença, histórias muito parecidas circularam logo após a morte de Darwin, em particular, uma que afirmava que ele havia se convertido logo antes de morrer. Estas histórias foram disseminadas por alguns grupos cristãos até ao ponto de se tornarem lendas urbanas, embora as afirmações tenham sido refutadas pelos filhos de Darwin e sejam consideradas falsas por historiadores.


Legado
A teoria de Darwin de que evolução ocorreu por meio de seleção natural mudou a forma de pensar em inúmeros campos de estudo da Biologia à Antropologia. Seu trabalho estabeleceu que a "evolução" havia ocorrido: não necessariamente por meio das seleções natural e sexual (isto, em particular, só foi comumente reconhecido após a redescoberta do trabalho de Gregor Mendel no início do século XX e o desenvolvimento da Síntese Moderna). Outros antes dele já haviam esboçado a ideia de seleção natural: em sua vida, Darwin reconheceu como tal os trabalhos de William Charles Wells e Patrick Matthew que ele (e praticamente todos os outros naturalistas da época) desconheciam quando ele publicou a sua teoria. Contudo, é claramente reconhecido que Darwin foi o primeiro a desenvolver e publicar uma teoria científica de Seleção Natural e que trabalhos anteriores ao seu não contribuíram para o desenvolvimento ou sucesso da Seleção Natural como uma teoria testável.

Apesar da grande controvérsia que marcou a publicação do trabalho de Darwin, a evolução por seleção natural provou ser um argumento poderoso contrário às noções de criação divina e projeto inteligente comuns na ciência do século XIX. A ideia de que não mais havia uma clara separação entre homens e animais faria com que Darwin fosse lembrado como aquele que removeu o homem da posição privilegiada que ocupava no universo. Para alguns de seus críticos, entretanto, ele continuou sendo visto como o "homem macaco" frequentemente desenhado com um corpo de macaco.


Reconhecimento

Estátua de Charles Darwin no Museu de História Natural de Londres.Ainda durante a vida de Darwin, muitas espécies de seres vivos e elementos geográficos foram batizados em sua homenagem, entre eles, o Monte Darwin, nos Andes, em celebração ao seu vigésimo quinto aniversário. A capital do Northern Territory na Austrália também foi batizada com o seu nome em comemoração à passagem do Beagle por ali, em 1839. No mesmo território, foram batizados com o seu nome uma universidade e um parque nacional.

As 14 espécies de tentilhões que ele estudou em Galápagos são chamadas "tentilhões de Darwin" em honra ao seu legado. Em 1964, foi inaugurado em Carmbridge o Darwin College em honra à sua família e, parcialmente, porque os Darwin eram os donos do terreno usado. Em 1992, Darwin foi posicionado em décimo sexto lugar na As 100 maiores personalidades da História, compilada pelo historiador Michael H. Hart. Darwin também figura na nota de dez libras introduzida pelo banco da Inglaterra em 2000 em substituição a Charles Dickens. Sua barba impressionante e difícil de ser copiada foi apontada como um dos fatores que contribuíram para a escolha. Darwin também aparece em quarto lugar na 100 Greatest Britons, uma lista compilada por meio de voto popular pela BBC.


Eugenia
Seguindo a publicação da "Origem das Espécies", o primo de Darwin, Francis Galton, aplicou as ideias de Darwin à sociedade, de forma a promover o conceito de "melhorias hereditárias". Ele iniciou este trabalho em 1865, completando-o em 1869. Em "The Descent of Man", Darwin concordou que Galton tivesse demonstrado que "talento" e "genialidade" em humanos eram provavelmente herdados mas acreditava que as mudanças sociais que ele propunha eram muito utópicas. Nem Galton nem Darwin concordavam que o Estado devesse interferir nestas questões. Acreditavam que, no máximo, a hereditariedade deveria ser considerada na escolha de cônjuges. Em 1883, depois da morte de Darwin, Galton começou a chamar a sua filosofia social de Eugenia. No século XX, movimentos de eugenia ganharam popularidade em vários países e foram associados a programas de controle de reprodução tais como leis de esterilização compulsória. Tais movimentos acabaram sendo estigmatizados após serem usados na retórica da Alemanha Nazista em suas metas de alcançar "pureza" racial.


Darwinismo Social


Em 1944 o historiador americano Richard Hofstadter aplicou o termo "Darwinismo Social" para descrever o pensamento desenvolvido durante os séculos XIX e XX a partir das ideias de Thomas Malthus e Herbert Spencer, que aplicaram as noções de evolução e sobrevivência do mais apto às sociedades e nações. Estas ideias caíram em descrédito após serem associadas ao racismo e ao imperialismo. Note que na época de Darwin a diferença entre o que mais tarde seria chamado de "darwinismo social" e simplesmente "darwinismo" não era clara. Contudo, Darwin não acreditava que sua teoria científica implicasse qualquer teoria particular de governo ou ordem social.

O uso do termo "Darwinismo Social" para descrever as ideias de Malthus não é muito adequado, uma vez que Malthus morreu em 1834, portanto antes que a teoria de Darwin tivesse sido concebida. Além disso, de fato, a teoria de Darwin é que foi inspirada em um ensaio de Malthus de 1838, Princípio da População. O "progressivismo" evolutivo de Spencer e suas ideias políticas e sociais também foram muito influenciados pelas ideias de Malthus e seus livros sobre economia (de 1851) e evolução (de 1855) são ambos anteriores à publicação da "Origem das Espécies" (de 1859).

Trabalhos publicados (em inglês)
1836: A LETTER, Containing Remarks on the Moral State of TAHITI, NEW ZEALAND, &c. – BY CAPT. R. FITZROY AND C. DARWIN, ESQ. OF H.M.S. 'Beagle.' [1]
1839: Journal and Remarks (The Voyage of the Beagle)
Zoology of the Voyage of H.M.S. Beagle: publicado entre 1839 e 1843 em cinco volumes por vários autores, editado e supervisionado por Charles Darwin: [2]
1842: The Structure and Distribution of Coral Reefs [3]
1844: Geological Observations of Volcanic Islands [4], (versão em francês)
1846: Geological Observations on South America [5]
1849: Geology from A Manual of scientific enquiry; prepared for the use of Her Majesty's Navy: and adapted for travellers in general., John F.W. Herschel ed. [6]
1851: A Monograph of the Sub-class Cirripedia, with Figures of all the Species. The Lepadidae; or, Pedunculated Cirripedes. [7]
1851: A Monograph on the Fossil Lepadidae; or, Pedunculated Cirripedes of Great Britain [8]
1854: A Monograph of the Sub-class Cirripedia, with Figures of all the Species. The Balanidae (or Sessile Cirripedes); the Verrucidae, etc. [9]
1854: A Monograph on the Fossil Balanidæ and Verrucidæ of Great Britain [10]
1858: On the Perpetuation of Varieties and Species by Natural Means of Selection[11]
1859: On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or the Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life
1862: On the various contrivances by which British and foreign orchids are fertilised by insects [12]
1868: Variation of Plants and Animals Under Domestication (PDF format), Vol. 1, Vol. 2
1871: The Descent of Man and Selection in Relation to Sex
1872: The Expression of Emotions in Man and Animals [13]
1875: Movement and Habits of Climbing Plants [14]
1875: Insectivorous Plants [15]
1876: The Effects of Cross and Self-Fertilisation in the Vegetable Kingdom [16]
1877: The Different Forms of Flowers on Plants of the Same Species [17]
1879: "Preface and 'a preliminary notice'" em Erasmus Darwin de Ernst Krause [18]
1880: The Power of Movement in Plants [19]
1881: The Formation of Vegetable Mould Through the Action of Worms [20] [21]
1887: Autobiography of Charles Darwin (editado por seu filho Francis Darwin) [22]
Cartas (em inglês)
1887: Life and Letters of Charles Darwin, (ed. Francis Darwin). Volume I, Volume II
1903: More Letters of Charles Darwin, (ed. Francis Darwin and A.C. Seward). Volume I, Volume II
Referências

1.↑ a b c van Wyhe 2008
2.↑ The Complete Works of Darwin Online - Biography. darwin-online.org.uk. Retrieved on 2006-12-15
Dobzhansky 1973
3.↑ Leff 2000, p. About Charles Darwin
4.↑ Desmond & Moore 1991, p. 210, 263–274, 284–285
5.↑ Darwin - At last. American Museum of Natural History. Retrieved on 2007-03-21
6.↑ Leff 2000, p. Darwin's Burial
7.↑ BBC NEWS : Politics : Thatcher state funeral undecided (2008-08-02). Página visitada em 2008-08-10.
8.↑ John H. Wahlert (11 June 2001). The Mount House, Shrewsbury, England (Charles Darwin). Darwin and Darwinism. Baruch College. Página visitada em 2008-11-26.
9.↑ Desmond & Moore 1991, p. 12–15
Darwin 1958, pp. 21–25
10.↑ Darwin 1958, pp. 47–51
11.↑ Browne 1995, pp. 72–88
12.↑ Desmond & Moore 1991, p. 42–43
13.↑ Browne 1995, pp. 47–48
14.↑ Darwin 1958, p. 57–67
15.↑ Browne 1995, p. 97
16.↑ Darwin 1958, p. 67–68
Browne 1995, pp. 128–129, 133–141
17.↑ Darwin Correspondence Project - Letter 105 — Henslow, J. S. to Darwin, C. R., 24 Aug 1831. Página visitada em 2008-12-29.
18.↑ Keynes 2000, pp. ix–xi
19.↑ van Wyhe 2008b, p. 18–21
20.↑ Browne 1995, pp. 183–190
21.↑ Desmond & Moore 1991, p. 160–168, 182
Darwin 1887, p. 260
22.↑ Darwin 1958, p 98–99
23.↑ Browne 1995, p. 223–235
Darwin 1835, p. 7
Desmond & Moore 1991, p. 210
24.↑ Darwin 1845, pp. 205–208
25.↑ Keynes 2001, p. 226–227
26.↑ Darwin 1958, pp. 73–74
27.↑ Darwin 1835, editorial introduction
28.↑ Sulloway 1982, pp. 20–23
29.↑ Desmond & Moore 1991, p. 207–210
Sulloway 1982, pp. 20–23


FONTE: http://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_Darwin

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

SEMANA DA ARTE MODERNA NO BRASIL

A Semana de Arte Moderna, também chamada de Semana de 22, ocorreu em São Paulo no ano de 1922, nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro, no Teatro Municipal.

Cada dia da semana foi dedicado a um tema: respectivamente, pintura e escultura, poesia, literatura e música.

O presidente do estado de São Paulo à época, Washington Luís apoiou o movimento, especialmente por meio de René Thiollier, que solicitou patrocínio para trazer os artistas do Rio de Janeiro Plínio Salgado e Menotti Del Pichia, membros de seu partido, o Partido Republicano Paulista.

A Semana de Arte Moderna representou uma verdadeira renovação de linguagem, na busca de experimentação, na liberdade criadora da ruptura com o passado e até corporal, pois a arte passou então da vanguarda, para o modernismo. O evento marcou época ao apresentar novas ideias e conceitos artísticos, como a poesia através da declamação, que antes era só escrita; a música por meio de concertos, que antes só havia cantores sem acompanhamento de orquestras sinfônicas; e a arte plástica exibida em telas, esculturas e maquetes de arquitetura, com desenhos arrojados e modernos. O adjetivo "novo" passou a ser marcado em todas estas manifestações que propunha algo no mínimo curioso e de interesse.

Participaram da Semana nomes consagrados do modernismo brasileiro, como Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Víctor Brecheret, Plínio Salgado, Anita Malfatti, Menotti Del Pichia, Guilherme de Almeida, Sérgio Milliet, Heitor Villa-Lobos, Tarsila do Amaral, Tácito de Almeida, Di Cavalcanti entre outros, e como um dos organizadores o intelectual Rubens Borba de Moraes que, entretanto, por estar doente, dela não participou.


Origens

A Semana de Arte Moderna ocorreu em uma época cheia de turbulências políticas, sociais, econômicas e culturais. As novas vanguardas estéticas surgiam e o mundo se espantava com as novas linguagens desprovidas de regras. Alvo de críticas e em parte ignorada, a Semana não foi bem entendida em sua época. A Semana de Arte Moderna se encaixa no contexto da República Velha, controlada pelas oligarquias cafeeiras e pela política do café-com-leite. O capitalismo crescia no Brasil, consolidando a República e a elite paulista, esta totalmente influenciada pelos padrões estéticos europeus mais tradicionalistas.

Seu objetivo era renovar o ambiente artístico e cultural da cidade com "a perfeita demonstração do que há em nosso meio em escultura, arquitetura, música e literatura sob o ponto de vista rigorosamente atual", como informava o Correio Paulistano, órgão do partido governista paulista, em 29 de janeiro de 1922.


Vanguardas europeias

A nova intelectualidade brasileira dos anos 10-20 viu-se em um momento de necessidade de abandono dos antigos ideais estéticos do século XIX ainda em moda no país. Havia algumas notícias sobre as experiências estéticas que ocorriam na Europa no momento, mas ainda não se tinha certeza do que estava acontecendo e quais seriam os rumos a se tomar.

O principal foco de descontentamento com a ordem estética estabelecida se dava no campo da literatura (e da poesia, em especial). Exemplares do Futurismo italiano chegavam ao país e começavam a influenciar alguns escritores, como Oswald de Andrade e Guilherme de Almeida.

A jovem pintora Anita Malfatti voltava da Europa trazendo a experiência das novas vanguardas, e em 1917 realiza a que foi chamada de primeira exposição modernista brasileira, com influências do cubismo, expressionismo e futurismo. A exposição causa escândalo e é alvo de duras críticas de Monteiro Lobato, o que foi o estopim para que a Semana de Arte Moderna tivesse o sucesso que, com o tempo, ganhou.

Antecedentes


Mário de Andrade (primeiro à esquerda, no alto), Rubens Borba de Moraes (sentado, segundo da esquerda para a direita) e outros modernistas em 1922, dentre os quais (não identificados) Tácito, Baby, Mário e Guilherme de Almeida e Yan de Almeida PradoAlguns eventos que direta ou indiretamente motivaram a realização da Semana de 1922, mudando as atitudes dos jovens artistas modernistas:

1912. Oswald de Andrade retorna da Europa, impregnado do Futurismo de Marinetti, e afirmando que “estamos atrasados cinquenta anos em cultura, chafurdados ainda em pleno Parnasianismo”.

1913. Lasar Segall, pintor lituano, realiza “a primeira exposição de pintura não acadêmica em nosso país”, nas palavras de Mário de Andrade.

1914. Primeira exposição de pintura de Anita Malfatti, que retorna da Europa trazendo influências pós-impressionistas.

1917. – Mário de Andrade e Oswald de Andrade, os dois grandes líderes da primeira geração de nosso Modernismo, se tornam amigos.

Publicação de Há uma gota de sangue em cada poema; livro de poemas de Mário de Andrade, que utilizou o pseudônimo Mário Sobral para assinar essa obra pacifista, protestando contra a Primeira Guerra Mundial.

Publicação de Moisés e Juca Mulato, poemas regionalistas de Menotti Del Pichia, que conseguem sucesso junto ao público.

Publicação de A cinza das horas, de Manuel Bandeira.

O músico francês Darius Milhaud, que vive no Rio de Janeiro e entusiasma-se com maxixe, samba e os chorinhos de Ernesto Nazareth, se encontra com Villa-Lobos. O então jovem compositor, já impressionado com a descoberta de Stravinski, entra em contato com a moderna música francesa.

Segunda exposição de Anita Malfatti, exibindo quadros expressionistas, criticados com dureza por Monteiro Lobato, no artigo “Paranoia ou mistificação?”, publicado no jornal O Estado de S. Paulo, Esse artigo é considerado o “estopim” de nosso modernismo, já que provocou a união dos jovens artistas, levando-os a discutir a necessidade de divulgar coletivamente o movimento.

1919. Publicação de Carnaval, de Manuel Bandeira, já com versos livres.

Palácio Trianon e Túnel 9 de Julho.1921. Banquete no Palácio Trianon, em homenagem ao lançamento de As máscaras, de Menotti Del Picchia, Oswald de Andrade faz um discurso, afirmando a chegada da revolução modernista em nosso país.

Exposições de quadros de Vicente do Rego Monteiro, em Recife e no Rio de Janeiro, explorando a temática indígena.

Mostra de desenhos e caricaturas de Di Cavalcanti, denominada “Fantoches da Meia-noite”, na cidade de São Paulo.

Oswald de Andrade, Menotti Del Picchia, Cândido Mota Filho e Mário de Andrade divulgam o Modernismo, em revistas e jornais.

Mário de Andrade escreve a série Os mestres do passado, analisando esteticamente a poesia parnasiana que estava no auge da reputação literária e mostrando a necessidade de superá-la, porque a sua missão já foi cumprida.

Oswald de Andrade publica um artigo sobre os poemas de Mário de Andrade, intitulando-o “O meu poeta futurista”. A partir de então, apesar da recusa de Mário de Andrade em aceitar a designação, a palavra “futurismo” passa a ser utilizada indiscriminadamente para toda e qualquer manifestação de comportamento modernista, em tom na maioria das vezes pejorativo. Em contrapartida, os modernistas chamam de “passadistas” os defensores da tradição em geral.

A Semana

A Semana, de uma certa maneira, nada mais foi do que uma ebulição de novas ideias totalmente libertadas, nacionalista em busca de uma identidade própria e de uma maneira mais livre de expressão. Não se tinha, porém, um programa definido: sentia-se muito mais um desejo de experimentar diferentes caminhos do que de definir um único ideal moderno.

13 de fevereiro (Segunda-feira) - Casa cheia, abertura oficial do evento. Espalhadas pelo saguão do Teatro Municipal de São Paulo, várias pinturas e esculturas provocam reações de espanto e repúdio por parte do público. O espetáculo tem início com a confusa conferência de Graça Aranha, intitulada "A emoção estética da Arte Moderna". Tudo transcorreu em certa calma neste dia.

15 de fevereiro (Quarta-feira) - Guiomar Novais era para ser a grande atração da noite. Contra a vontade dos demais artistas modernistas, aproveitou um intervalo do espetáculo para tocar alguns clássicos consagrados, iniciativa aplaudida pelo público. Mas a "atração" dessa noite foi a palestra de Menotti del Picchia sobre a arte estética. Menotti apresenta os novos escritores dos novos tempos e surgem vaias e barulhos diversos (miados, latidos, grunhidos, relinchos…) que se alternam e confundem com aplausos. Quando Ronald de Carvalho lê o poema intitulado Os Sapos de Manuel Bandeira, (poema criticando abertamente o parnasianismo e seus adeptos) o público faz coro atrapalhando a leitura do texto. A noite acaba em algazarra. Ronald teve de declamar o poema pois Bandeira estava impedido de fazê-lo por causa de uma crise de tuberculose.

Importantes figuras do modernismo, em 1922. Mário de Andrade (sentado), Anita Malfatti (sentada, ao centro) e Zina Aita (à esquerda de Anita).17 de fevereiro (Sexta-feira) - O dia mais tranquilo da semana, apresentações musicais de Villa-Lobos, com participação de vários músicos. O público em número reduzido, portava-se com mais respeito, até que Villa-Lobos entra de casaca, mas com um pé calçado com um sapato, e outro com chinelo; o público interpreta a atitude como futurista e desrespeitosa e vaia o artista impiedosamente. Mais tarde, o maestro explicaria que não se tratava de modismo e, sim, de um calo inflamado…

Desdobramentos

Vale ressaltar, que a Semana em si não teve grande importância em sua época, foi com o tempo que ganhou valor histórico ao projetar-se ideologicamente ao longo do século. Devido à falta de um ideário comum a todos os seus participantes, ela desdobrou-se em diversos movimentos diferentes, todos eles declarando levar adiante a sua herança.

Ainda assim, nota-se até as últimas décadas do Século XX a influência da Semana de 1922, principalmente no Tropicalismo e na geração da Lira Paulistana nos anos 70 (Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção, entre outros). O próprio nome Lira Paulistana é tirado de uma obra de Mário de Andrade.

Mesmo a Bossa Nova deve muito à turma modernista, pela sua lição peculiar de "antropofagia", traduzindo a influência da música popular norte-americana à linguagem brasileira do samba e do baião.

Entre os movimentos que surgiram na década de 1920, destacam-se:

Movimento Pau-Brasil
Movimento Verde-Amarelo e Grupo da Anta
Movimento antropofágico
A principal forma de divulgação destas novas ideias se dava através das revistas. Entre as que se destacam, encontram-se:

FONTE: http://pt.wikipedia.org/wiki/Semana_de_Arte_Moderna